Hoje é um dia muito especial, lembro-me como se fosse ontem, falta uma semana para meu aniversário ...
Bem, na verdade não me lembro direito, a maioria das coisas que vou escrever são coisas que imaginei que aconteceram, afinal eu tinha apenas quatro anos de idade, numa terra estranha chamada Itapetininga.
Com o tempo, minha mãe foi ficando estranhamente gorda, mas não gordinha, gorda mesmo, com uma barriga imensa, e o mais estranho é que ela continuava magra, era apenas a barriga que cresceu desproporcionalmente. Meu pai dizia que era por causa do bebê, mas eu não consegui lembrar o dia que minha mãe comeu esse bebê para ficar tão gorda.
Naquela época não dava para saber o sexo do bebê antes do nascimento. Por causa disso fizemos um acordo, se fosse menina, minha irmã escolheria o nome, por outro lado, caso fosse menino, eu ficaria com essa responsabilidade. Acho que minha irmã tinha escolhido o nome de Bianca para meu irmão, e eu, fiquei bastante na dúvida.
Como eu tinha uma namorada na época chamada Rafaela, eu quis homenageá-la. Namorada em termos né! Sabe como é, aos cinco anos de idade a gente pensa que todas as meninas do mundo gostam de vc, e que vc pode ter diversas namoradas. No meu caso eu tinha escolhido a Rafaela para namorar, mas evidentemente, ela não sabia disso! Eu acho! Enfim, chegou o grande dia, lembro-me como se fosse ontem (acho que eu já disse isso, é a força do hábito! Mau hábito).
Enfim, minha mãe disse: - O bebê está vindo!
Então, pensei comigo, é só esperar que daqui a pouco ele chega.
Tocou a campainha!
Meu pai correu para abrir, esperei que fosse o bebê, mas não era! Era apenas minha avó que tinha vindo para tomar conta de mim e de minha irmã, enquanto meu pai e minha mãe se arrumavam para sair!
Peraí!
Onde é que vocês vão?
O bebê está chegando e vocês vão embora?!
Que tipo de pais são vocês?!
Relapsos, hum...
Minha mãe, agora bem gordinha, chegou para mim e minha irmã e disse:
- Comportem-se e obedeçam sua avó! O bebê está chegando, temos que ir.
Depois entrou na Caravan SS cinza e preta de meu pai, e saíram.
Acompanhei com os olhos o carro até sumir na esquina. Onde será que eles foram?
A briga em casa era para saber em qual quarto o bebê iria dormir. Segundo a lógica, se eu escolhesse o nome do bebê, ele iria dividir o quarto comigo, agora se fosse minha irmã que escolhesse o nome, o direito de dividir o quarto seria dela.
Como minha irmã era mais velha, ela que seria responsável pelos principais cuidados com o bebê, a minha responsabilidade resumiria em observá-lo e delatá-lo se fizesse algo errado.
Feitos os acordos, chegou a hora de dormir.
Peraí! Mas o bebê vai chegar, não quero estar dormindo quando ele chegar! Afinal nem meu pai nem minha mãe ficaram para recebê-lo, eu quero ao menos estar acordado. Não tem conversa... hora de criança ir para a caminha. Enfim fomos nós dormir cedo para receber o bebê no dia seguinte.
De noite, sonhei com ele jogando bola comigo (é claro que isso não é verdade, pois dificilmente lembro-me dos sonhos de ontem a noite, quanto mais do que sonhei no dia 3 de junho de 1980, em Itapetininga, quando tinha 4 anos) Aliás, quem me conhece sabe que raramente sonharia que estava jogando bola, mas enfim, falta uma semana para a copa do mundo.
Na manhã seguinte, cansado do jogo de futebol, demorei para acordar. Fui para a cozinha, tomar café com minha irmã e meus avós, quando o telefone tocou. Era meu pai, o telefone passou na mão de todos em casa, e como eu era o mais novo, fui o último a pegar o telefone. Ao fundo, com um chuvisco característico do início dos anos 80 pude reconhecer a voz do meu pai que me disse:
Marcelo... é Rafael! Seu irmão é Rafael!
Bemvindo maninho querido! Meu fã e meu ídolo!
Amo você do fundo do coração...
P.S. Jó, não fique triste por eu não escrever sobre seu nascimento, desse eu não lembro nada mesmo, afinal eu tinha -3 anos, mas vou usar minha imaginação para um texto em breve.
Amo muito você tbm.
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