Algumas
palavras, no inacabável léxico da língua portuguesa, aparecem no nosso
dia-a-dia e nós nem sabemos de onde veio, o que significa ou por quê foi dita.
Tá, talvez não exatamente no dia-a-dia, mas em alguma aula de Direito
processual tributário constitucional que as vezes vimos a ter na vida.
Uma dessas palavras, é o feio
e nada sonoro termo "Algures". E quem usa essa palavra? Se não fosse
esse texto, talvez eu mesma nunca tivesse ouvido o som dessas letras juntas em
sequência. Talvez nem minha tataravó a usasse. Mas ela tá lá, sentadinha na
sala das palavras menores abandonadas, perdida em um ou outro livro chato e
monótono.
Mas essa palavra, se não fosse
seu significado real, poderia ter uma história muito mais feliz.
Algures poderia ser usada para
designar um tipo de móvel caro presente nas casas mais luxuosas. "Nossa,
mas que sala bonita, grande! Mas ficaria ainda melhor se você colocasse um
Algures sobre o tapete persa ". Haveria algures dsenhados pelos mais
famosos designers.
Poderia ter um significado
nobre. O prefixo ‘Al’, vindo do árabe, como em Ali babá, Aladim, Algebra ou
Almoço, significaria o todo, a totalidade.
Já o sufixo ‘Gures’, do grego, significaria luta, batalha, seria o nome
dado a uma antiga e tradicional luta Hebraica. Os bravos lutadores de Gures.
Dessa forma, algures significaria “com toda luta, todo esforço”. "Consegui esse emprego com muito
algures".
Mas, em vez disso, tem um
significado sem graça e é totalmente substituível. Algures significa "em
algum lugar". "Deixei minha bolsa algures". É o contrário do
pior ainda nenhures.
Convenhamos, é preferível
estar em algum lugar que estar algures.
Cátia Farias
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