Quando criança, no início da alfabetização, a principal pergunta que
fazemos aos pais é “o que é?” “O que é tempo? O que é morte? O que é? O que
é?”. Às vezes, meus pais brincavam, querendo incentivar, devolvendo a pergunta:
“o que você acha que é?”.
Por isso vamos a
brincadeira de criança: o que você acha que é ignomínia? Não sei se pelo começo
parecido, mas ignomínia me lembra de certa forma ignorante, talvez possa ser
usado na frase “esse cara é um ignômio”. Ignomínia pode ser também algo que
venha dos gnomos, uma mobília, a casa dos gnomos ou até a transformação de
pessoas, bichos, objetos em gnomos. Tá, talvez eu tenha incorporado demais a
criança que existe em mim e imaginado além do esperado. Voltemos ao normal.
Ignomínia poderia
ser o ato de ignorar nomes, como muitos fazem com pessoas e objetos,
chamando-os eternamente de moço (a) ou coisa. Talvez, uma doença, com o médico
falando a senhora que ela está com ignomínia ou ignômica. Pode vir de algum
latim como Ignomius Iglatius, que dá
origem a alguma bactéria presente na ilha de Nomínia, resultando no nome
popular Ignomínia.
De qualquer forma
meus pais, por alguma razão de integridade moral, vergonha ou preguiça me
mandavam procurar tudo no dicionário. Fiz então jus ao ensinamento, ou quase
treinamento, deles e procurei no dicionário. E qual não é minha surpresa ao
descobrir que ignomínia não cabe em nada do que imaginei. Pelo bom e velho
Aurélio, significa infâmia, grande desonra. Sinceramente, me decepcionei,
prefiro meus gnomos da infância.
Steffania Harumi Okido
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