segunda-feira, 26 de março de 2012

Ignomínia


Quando criança, no início da alfabetização, a principal pergunta que fazemos aos pais é “o que é?” “O que é tempo? O que é morte? O que é? O que é?”. Às vezes, meus pais brincavam, querendo incentivar, devolvendo a pergunta: “o que você acha que é?”.
            Por isso vamos a brincadeira de criança: o que você acha que é ignomínia? Não sei se pelo começo parecido, mas ignomínia me lembra de certa forma ignorante, talvez possa ser usado na frase “esse cara é um ignômio”. Ignomínia pode ser também algo que venha dos gnomos, uma mobília, a casa dos gnomos ou até a transformação de pessoas, bichos, objetos em gnomos. Tá, talvez eu tenha incorporado demais a criança que existe em mim e imaginado além do esperado. Voltemos ao normal.
            Ignomínia poderia ser o ato de ignorar nomes, como muitos fazem com pessoas e objetos, chamando-os eternamente de moço (a) ou coisa. Talvez, uma doença, com o médico falando a senhora que ela está com ignomínia ou ignômica. Pode vir de algum latim como Ignomius Iglatius, que dá origem a alguma bactéria presente na ilha de Nomínia, resultando no nome popular Ignomínia.
            De qualquer forma meus pais, por alguma razão de integridade moral, vergonha ou preguiça me mandavam procurar tudo no dicionário. Fiz então jus ao ensinamento, ou quase treinamento, deles e procurei no dicionário. E qual não é minha surpresa ao descobrir que ignomínia não cabe em nada do que imaginei. Pelo bom e velho Aurélio, significa infâmia, grande desonra. Sinceramente, me decepcionei, prefiro meus gnomos da infância.



Steffania Harumi Okido

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