É uma palavra poderosa, não concordam? Quando eu escutei ela pela primeira vez da boca de meu professor, o que veio imediatamente na minha cabeça foi um enorme buraco negro, uma fressura gigante. Se não for algo tão profundo, espacial, eu acredito que um muro rachado resolva o problema. Quando eu era criança eu adorava sair andar de bicicleta com meu irmão em uma trilha que ficava na frente de casa, era uma mini florestinha, e ao final dela tinha uma casa de muro bem alto, e eu e meu irmão passavamos horas olhando nas fressuras daquele muro e admirando o jardim e os cachorros da mulher de ali morava.
Ou talvez fressura tenha a ver com moda, atitude e criatividade. Queria muito ter um brinco, ou um piercing, então vou em uma loja especializada fazer uma fressura pra colocar. Uma pessoa cheia de piercings e brincos seria um fresso, pois tem várias fressuras.
Ah, o fresso também poderia ser aquele cheio de fressuras, porém diferente. Fressuras do tipo mimimi, cheio de manias, paninhos, regras e outras coisas mais. Imaginei um mundo inteiro novo pra essa palavra, ideias, nomes, ideais e significados que ela possa ter ou ser. Mas mais cedo ou mais tarde temos que encarar a verdade.
Depois de muito matutar sobre os diversos usos dessa curiosa palavra, decidi abrir o dicionário. VÍSCERAS, coração, figado, entranhas, intestino. Um novo tipo de fressura. Gostei tanto da palavra que de hoje em diante nunca mais terei dores no intestino, apenas dores nas minhas fressuras. Ui! Minhas fressuras doem.
Luiza Todesco
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